Estudos bíblicos

Formação do Cânon do Antigo Testamento


I - Introdução

         Cânon, o sentido desta palavra tem diversas aplicações, entre elas , Escrituras Sagradas, consideradas como regra de fé e  prática.
         A palavra cânon, é de origem grega.
        Os livros canônicos são aqueles que se conforma com a regra ou padrão da inspiração e autoridade divina.

II - A História do cânon do Antigo Testamento

       Os autores sagrados receberam as suas revelações e ou visões da parte de Deus, e as comunicaram verbalmente. Foram, contudo orientados a registrarem de forma escrita aquelas mensagens para a posteridade. ( Ex 17.14; 24;4-7; 34.27,28; Ne 33.02; Dt 3.22,24; Jz 1.8; 1º Reis 4.1-3; 1º Cr 29.29; Is 30.8; Je 30.2, 36.2-4 e At 7.38.

        O cânon não é o produto de uma reunião conciliar, num determinado momento histórico, mas foi um gradual reconhecimento de autoridade divina pelos judeus. Então esta coleção de livros foi agrupada e fixada pela igreja.

       Os hebreus usavam alguns princípios de guia para a determinação da canonicidade de um determinado livro.
1.      Tem autoridade divina? É um “ Assim diz o Senhor “?
2.      Foi escrito por um homem de Deus? É autêntico?
3.      Tem poder para transformar vidas?
4.      Foi aceito pelo povo de Deus, lido e usado como regra de vida e fé?
5.      Tem o testemunho do próprio Deus?

       Dentro de uma cronologia de canonização, das Escrituras Hebraicas, os primeiros livros considerados como sagrados, são os que compõem a lei. Sendo eles os únicos livros que compõe o cânon samaritano.

       Os próximos livros a serem canonizados foram as profecias, que registradas, provaram serem divinas ao se cumprirem. ( Je 36.06; Zc 1.4-6, 7.7 )
        Na época do silêncio profético ( após 400 AC ), muitos livros históricos e poéticos circulavam entre os judeus. Alguns reconhecidamente sagrados outros reconhecidamente espúrios e pouco duvidosos. A aceitação destes livros pelos judeus seguia alguns critérios.
1.      Está em conformidade doutrinária com a Lei.
2.      É fiel historicamente?
3.      Foi escrita até Malaquias?

Algumas considerações:
                 Por volta de 250 AC, na versão do Velho Testamento hebraico para o grego, foram incluídos alguns destes livros ainda postos em dúvida. Mais tarde, no entanto, os judeus claramente os rejeitaram, porém os helênicos já os consagraram em seu cânon.    Deste cânon “ septuaginta “  proviria a “ vulgata latina de Jerônimo “, e mais tarde a versão católica.
                  Jerônimo, entre 385 e 405 AD, traduziu para o latim ( vulgata latina ) a versão da septuaginta que se tornou a versão católica romana. Na reforma, Lutero foi ao hebraico e surpreendeu-se ao não encontrar os apócrifos, fazendo então uma nova versão para o alemão do cânon judeu.
                   Em 1546, no Concilio de Trento, com contra-reforma, os católicos confirmaram o cânon da vulgata latina como sagrado  

III - O Cânon do Antigo Testamento

         A literatura sagrada evoluiu gradativamente e foi cuidadosamente vigiada. Os dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra, e que eram a constituição de Israel, foram guardados em uma arca, Ex 40.20.

         Os estatutos foram registrados no livro do pacto, Ex 20.23, até capítulo 23.33; 24.7.

         O livro da Lei escrito por Moisés, era colocado ao lado da arca, Dt 31.24-26. A esta coleção se ajuntaram os escritos de Josué, Js 24.26

         Samuel escreveu a lei do reino e a depositou diante do Senhor, 1Sm 10.25

         Em tempo do rei Josias, o livro da lei do Senhor, o bem conhecido livro, foi encontrado no templo e reconhecido pelo rei, pelos sacerdotes, pelo povo, pelas autoridades e pelos anciãos. 2 Reis 22.8-20. Do livro encontrado se tiram cópias, Dt 17.18-20.

           Os profetas reduziram as suas palavras a escrito, Jr 36. 32, e eram familiarizados reciprocamente com os seus escritos que os citavam como padrões autorizados, Is 2. 2-4; Mq 4. 1-3.

            A lei e os profetas eram tidos como produções autorizadas; inspiradas pelo Espírito Santo, e cuidadosamente guardadas por Jeová, Zc 1. 4; 7. 7, 12.    
             A lei de Moisés compreendendo os cinco primeiros livros da Bíblia, circulava como uma porção distinta da literatura sagrada no tempo de Esdras em cujas mãos esteve, Ed 7. 14, sendo douto no conhecimento dela, 6, 11. A pedido do povo, ele leu publicamente no livro da Lei, Ne 8. 1, 5, 8. Por este tempo, e antes de o cisma, entre os judeus e os samaritanos, chegar a seu termo, o Pentateuco foi levado para Samaria.

              O colecionamento dos profetas menores em um grupo de doze, é confirmado por Jesus, filho de Siraque, como em voga, no ano 200 A. C. Ecclus 49. 10. Sua linguagem dá a entender a existência do grande grupo formado pelos livros de Josué, Juizes, Samuel, Reis, Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, que formavam a segunda divisão do cânon hebreu, caps. 46-49.

               A existência da tríplice divisão das Escrituras em “Lei, Profetas e os outros que os acompanharam”; ou “a Lei, os Profetas e os outros livros”, ou, “a Lei, os Profetas e o resto dos livros”, é confirmada já no ano 182 A. C. juntamente com a existência de uma versão grega da mesma época, atestada pelo neto de Jesus, filho de Siraque (Ecclua, prólogo)

               Em uma passagem do 1 Mac 12. 9, datada do ano 100 A. C. se faz referência a livros sagrados “que estão em nossas mãos.” O judeu Filo, que nasceu em Alexan­dria no ano 20 A. C. e ali morreu no reinado de Cláudio, possuía o cânon, e citou quase todos os livros, com exceção dos Apócrifos

                O Novo Testamento cita as “Escrituras” como escritos de autoridade religiosa, Mt 21. 42; 26. 56; Mc 14. 49; Jo 10. 35; 2 Tm 3. 16, como livros santos em Rm 1. 2; 2 Tm 3. 15, e como Oráculos de Deus, em Rm 3. 2; Hb 5. 12; 1 Pe 4. 11; e menciona a tríplice divisão em Moisés, Profetas e Salmos, em Lc 24. 44, cita e faz referências a todos os outros livros, exceto Obadias e Naum, Esdras, Ester, Cântico dos Cânticos e Eclesiastes. 

                  Josefo que foi contemporâneo do apóstolo Paulo, cujos escritos datam do ano 100 A. D., falando do seu povo, diz: “Nós temos apenas 22 livros, contendo a história de todo o tempo, livros em que “nós cremos”, ou segundo geralmente se diz, livros aceitos como divinos”, e o mesmo escritor exprime em termos bem fortes, afirmando a exclusiva autoridade destes escritos, e continua, dizendo: “Desde os dias de Artaxerxes até os nossos dias, todos os acontecimentos estão na verdade escritos; mas estes últimos registros não têm merecido igual crédito, como os anteriores, por causa de não mencionarem a sucessão exata dos profetas.
                   Há uma prova prática do espírito em que tratamos as nossas Escrituras; apesar de ser tão grande o intervalo de tempo decorrido até hoje, ninguém se aventurou a acrescentar, a tirar, ou a alterar uma única sílaba; faz parte da natureza de cada judeu, desde o dia em que nasce, considerar estas Escrituras como ensinos de Deus; confiar nelas, e, se for necessário, dar alegremente a vida, em sua defesa” .
                    Josefo apresenta o conteúdo das Escrituras sob três divisões:
1. “Cinco livros pertencem a Moisés, e contêm as suas leis e as tradições sobre a origem da humanidade, até a sua morte.”
2. Desde a morte de Moisés até Artaxerxes, escreveram os profetas que viveram depois dele, os fatos de seu tempo, em treze livros.” Josefo acompanhou o arranjo feito nos livros da Escritura pelos tradutores de Alexandria. Os treze livros são provavelmente, Josué, Juizes com Rute, Samuel, Reis, Crônicas, Esdras com Neemias, Ester, Jó, Daniel, Isaias, Jeremias com as Lamentações, Ezequiel e os doze Profetas Menores.
3. Os quatro livros restantes, contêm hinos a Deus e preceitos de conduta para a vida humana. Sem dúvida ele se refere aos Salmos, ao Cântico dos Cânticos, aos Provérbios e ao Eclesiastes.

                   Até aqui, os fatos. Havia uma tradição corrente, que o cânon fora arranjado no tempo de Esdras e de Neemias. Josefo, já citado, fala da crença universal de seus patrícios de que nenhum livro havia sido acrescentado desde o tempo de Artaxerxes, isto é, desde Esdras e Neemias.
                   Uma extravagante legenda do fim do primeiro século da era cristã deu curso a uma tradição de que Esdras havia restaurado a lei, é mesmo o Antigo Testamento inteiro por se haverem perdidos os exemplares guardados no Templo, Ne 14. 21, 22, 40.        Afirma a tal legenda que os judeus da Palestina, naquela época, reconheciam os livros canônicos, como sendo vinte e quatro.
                  Uma passagem de duvidosa autenticidade e de data incerta, talvez escrita 100 anos antes de Cristo em 2 Mac 2. 13, alude à atividade de Neemias em conexão à segunda e terceira divisão do cânon. Ireneu transmite a tradição assim: “De­pois que os sagrados escritos foram destruídos, no exílio, sob o domínio de Nabucodonosor, quando os judeus, depois de setenta anos, voltaram do cativeiro para a sua pátria, Ele (Deus) nos dias de Artaxerxes, inspirou a Esdras, o sacerdote, da tribo de Levi, para arranjar de novo todas as pa­lavras dos profetas dos dias passados, e restaurar para uso do povo a legislação de Moisés.”

                 Elias, levita, escrevendo em 1588, fala da crença que o povo tinha, dizendo: “No tempo de Esdras os 24 livros ainda não estavam unidos em um volume. Esdras e seus associados fizeram deles um volume dividido em três partes, a lei, os profetas e a hagiógrafa.” Esta tradição contém verdades. Se pode ser aceita em todos os seus particulares, isso depende de determinar a data em que certo, livros foram escritos, tais como Neemias e Crônicas.  

                   O Pentateuco, como trabalho de Moisés, compreendendo a incorporação das leis fundamentais da nação, formou uma divisão do cânon, e com direitos firmados na cronologia, ocupou o primeiro lugar na coleção dos livros.
                   A segunda divisão dos livros teve a designação de proféticos por serem escritos pelos seus autores assim chamados. Estes livros eram em número de oito, Josué, Juizes, Samuel, e Reis, denominados os primeiros profetas, e Isaias, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores, denominados os últimos profetas.
                   O núcleo da terceira divisão é formado de seções de livros de Salmos e Provérbios. Tinham duas feições distintas: eram essencialmente poéticos e os seus autores não eram oficialmente profetas. Atraíram para si todas as outras produções de literatura semelhante. 

                    A oração de Moisés no Salmo 90, não foi escrita por profeta, mas foi colocada nesta divisão dos livros da Escritura por ser produção poética.
                   Pela mesma razão, as Lamentações de­ Jeremias, escritas por profeta, e sendo poesia, entraram na terceira divisão do cânon hebreu. Uma razão adicional existiu para separá-las de Jeremias, é que eram lidas por ocasião dos aniversários da destruição de ambos os templos, e por isso, foram postas com os quatro livros menores que eram lidos por ocasião de outros quatro aniversários, Cânticos, Rute, Eclesiastes e Ester, e formavam os cinco rolos, ou Megilloth.  
                   O livro de Daniel foi incluído nesta parte por ter sido escrito por homem que, posto dotado de espírito profético, não era oficialmente profeta. Com toda a probabilidade, as Crônicas foram escritas por um sacerdote e não profeta, e por esta razão, foram postas na terceira divisão do cânon.
                  Não sabemos por que estes livros se acham nesta divisão, quando é certo que alguns deles e partes deles que agora se acham nela, já existiam antes de Malaquias e Zacarias na segunda divisão.    

                  É conveniente que se diga que, conquanto o conteúdo das diversas divisões do cânon permanecessem inalteráveis, a ordem dos livros da terceira divisão variou de tempos em tempos; e mesmo na segunda divisão o Talmude dá Isaias entre Ezequiel e os Profetas Menores. Esta ordem dos quatro livros proféticos, Jeremias, Ezequiel, Isaías, e os Profetas Menores, foi evidentemente determinada pelo tamanho, dando a prioridade aos de maior volume. Logo no fim do primeiro século da nossa era, o direito de certos livros figurarem na terceira divisão do cânon, foi disputado. Não havia dúvida em pertencerem ao cânon. As discussões versaram sobre o conteúdo dos livros e sobre as dificuldades de harmonizá-los entre si. Estes debates, porém, eram meras exibições intelectuais. Não havia intenção de excluir do cânon qualquer destes livros, e sim tornar bem claro o direito que ele tinham aos lugares que ocupavam.
A integridade dos Escritos:

a)      Integridade Topográfica e Geográfica: As descobertas arqueológicas provam que os povos, línguas, os lugares e os eventos mencionados nas Escrituras são encontrados justamente onde as Escrituras os localizam, no local exato e sob as circunstâncias geográficas exatas descritas na Bíblia.

b)     Integridade Etnológica ou Racial: Todas as afirmações bíblicas sobre raças têm sido demonstradas como corretas com os fatos etnológicos revelados pela arqueologia.

c)      Integridade Cronológica: A identificação bíblica de povos, lugares e acontecimentos com o período de sua ocorrência é corroborada pela cronologia síria e pelos fatos revelados pela arqueologia.

d)     Integridade Histórica: O registro dos nomes e títulos dos reis está em harmonia perfeita com os registros seculares, conforme demonstrados por descobertas arqueológicas.

e) Integridade Canônica: A aceitação pela igreja em toda a era cristã, dos livros incluídos nas Escrituras que hoje possuímos, representa o endosso de sua integridade.
Exemplares do A.T.  impressos em 1.488 e 1.516 d.C., concordam com os exemplares atuais. Portanto a Bíblia como a possuímos hoje, já existia há 400 anos passados.

       Quando essas Bíblias foram impressas, certo erudito tinha em seu poder mais de 2.000 manuscritos. Esse número é sem dúvida suficiente para estabelecer a genuinidade e credibilidade do texto sagrado, e tem servido para restaurar ao texto sua pureza original, e fornecem proteção contra corrupções futuras (Ap.22:18-19; Dt.4:2;12:32).
        Enquanto a integridade canônica da Bíblia se baseia em mais de 2.000 manuscritos, os escritos seculares, que geralmente são aceitos sem contestação, baseiam-se em apenas uma ou duas dezenas de exemplares.
        As quatro Bíblias mais antigas do mundo, datadas entre 300 e 400 d.C., correspondem exatamente a Bíblia como a possuímos atualmente.

         Harmoniosamente, os Livros do Antigo Testamento, ficaram assim distribuidos:
1.      O Pentateuco – Cinco livros
2.      Históricos – Doze livros
3.      Poéticos – Cinco livros
4.      Proféticos – Dezessete livros ( Estes divididos entre profetas maiores – cinco livros; e profetas menores em doze livros.
1 - O  Pentateuco   ( Torá para o judeu ) – O livro da LEI.
·         Genesis
·         Êxodo
·         Levitico
·         Números
·         Deutronômio
2 - Histórico – As ações do povo de Deus
·      Josué
·      Juizes
·      Rute
·      1 Samuel
·      2 Samuel
·      1 Reis
·      2 Reis
·      1 Crônicas
·      2 Crônicas
·      Esdras
·      Neemias
·      Ester
3 - Poéticos -  As experiências do povo de Deus
·      Jó 
·      Salmos
·      Provérbios
·      Eclesiastes
·      Cantares de Salomão 
4 - Proféticos – Prediz os acontecimentos de Cristo. Seu reino, Sua redenção pela graça. Tanto que mostrou que a lei seria cumprida  em Cristo.
Maiores:
·      Isaias
·      Jeremias
·      Lamentações de Jeremias
·      Ezequiel
·      Daniel
Menores:
·      Oseias
·      Joel
·      Amós
·      Obadias
·      Jonas
·      Miquéias
·      Naum
·      Habacuque
·      Sofonias
·      Ageu
·      Zacarias
·      Malaquias.

IV – Conclusão
         Pela eterna sabedoria de Deus, a unção do Espirito Santos e a graça contida no nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Homens escolhidos pelo seu temor, cheios do Espirto Santo, escreveram aos povos, para que todos tivessem o entendimento de qual era a vontade de Deus na vida do ser humano.
           Muitos tentaram, tentam e continuarão  tentando enganar os povos com escritos e palavras persuasivas , na expectativa de fazer com que as pessoas  percam a maior promessa feita por Deus ao ser humano que é a “ SALVAÇÃO “ e através dela a conquista do “ REINO DE DEUS “.
             Jesus está voltando, e que a sua miseriórdia possa nos alcançar, e todos possam dizer “ Ora Vem Senhor Jesus ‘. Maranatha.

V – Bibliografia
THOMPSON, Frank Charles D.D., Ph.D., B.B. The New Chain Reference Bible. 4th Ed, Kirkbride Bible Co.,
Pesquisa feita através dos estudos teológicos inseridos no acervo da Livraria ERDOS.
Instituto de estudos bíblicos Maranatha – Curso Básico de Teologia
Panorama do Velho Testamento, Ângelo Gagliardi Jr. Ed. Vinde.





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MISSIOLOGIA



INDICE
1- Introdução
2 – Aspectos Gerais
2.1 -  No Cristianismo
2.2 -  História
2.3 – Objetivo e preparação do missionário
3 – Objetivos da Missiologia
4 – Missiologia urbana
4.1 – Conceito
4.2 -  Obstáculos ao crescimento das igrejas
5 – Estratégias de Evangelização
5.1 – Formar equipes de oração
5.2 - Testemunho Pessoal
5.3 – Receptividade
5.4 -  Grupos Familiar
5.5 -  Equipe de visitação aos lares
5.6 – Plantação de igreja
5.7 – Distribuição de folhetos
5.8 -  Motivação 
6 – A igreja e a missiologia
7 -  Conclusão
8 – Bibliografia

 
1. Introdução
              Procurei nesta pesquisa, entender o significado da palavra missiologia. O assunto é extenso e profundo; bem diferente daquilo que se apregoa nas igrejas. A missiologia engloba desde o material humano com a sua preparação ( antes ) de ser enviado e ( pós ) o seu retorno, tanto com  a sua aplicação, podendo ser urbano ou rural e ainda quanto a  metodologia aplicada.
               Deus é responsável pelo preparo de seus servos, e Ele utiliza métodos informais, não-formais e formais ao longo  de nossa vida.
              Como o preparo missionário é de Deus, devemos tomar o cuidado em examinar como Ele quer fazer a obra através de nós.
 -  No sentido de evangelização, todos nós somos missionários (Atos 1:8)
- Em outro sentido todos nós somos chamados para missões transculturais, que é a tarefa de todos na igreja  (Ef. 1:18-23; 3:20)
- No sentido tradicional o missionário é descendente do apóstolo no Novo Testamento:  um enviado para o mundo a fora (Atos 13:1-4). 

2 – Aspectos Gerais
2.1 – No Cristianismo
     Missiologia abrange tres estágios: Missão local, missão nacional e missão transcultural. Missão local abrange a comunidade local e circunvizinhanças ex.bairros e cidades vizinhas. Missão nacional abrange todos os limites da nação de origem do missionário(a). Missão transcultural abrange até os confins da terra conforme a ordem dada por Cristo: Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e serme-eis testemunhas, em Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da Terra. Confins da terra abrange todos os povos, tribos, línguas e nações.

2.1.1 - História
    A missiologia é uma disciplina jovem. Ela nasceu em ambiente protestante do século XIX. A primeira cátedra referente a este saber foi criada na Universidade de Edimburgo, em 1867. No campo católico, o primeiro a abordar este estudo foi Joseph Schmidlin (1876-1944).Como resultado de seu trabalho, a Universidade de Münster resolveu a erigir a cátedra de missiologia em 1911. Depois da I Guerra Mundial várias universidades protestantes abriram suas cátedras. De 1916 a 1974, a Pontifícia Universidade Urbaniana de Roma publicou a Bibliotheca Missionum, uma coleção contendo vários volumes de estudos sobre missiologia.
2.1.2 – No Brasil
        O Brasil é o terceiro país protestante do mundo. Esse status deve-se ao trabalho de incansáveis missionários que atuaram no Brasil, desde dos primeiros calvinistas até ao grande trabalho dos pentecostais. Mas a obra missionária começou a atuar no Brasil, por meio de cristãos calvinistas, que chegaram ao país em 10 de novembro de 1555. Os primeiros pastores-missionários que chegaram ao Brasil formam os pastores franceses Pierre Richer e Guillaume Chartir e um seminarista chamado Jean de Lery, mandados pelo próprio João Calvino. O grupo de pastores chegaram no dia 10 de março de 1957, sendo assim, quase dois anos depois do primeiro grupo, que estavam sendo comandados pelos almirantes franceses Coligny e Villegaignon. O primeiro culto da América, realizado na chegada dos missionáriso, teve como leitura o Salmo 27.4 e a primeira Ceia do Senhor, celebrada na América, foi no domingo de 21 de março de 1557, pelo pastor Pierre Richer.

        Esse primeiro grupo de missionários evangelizaram vários índios Tamoios, não por meio de um catecismo jesuíta, mas pela proclamação das boas novas. Chegaram a traduzir o Salmo 103 para a língua indígena, sendo a primeira tradução genuinamente brasileira. Devido as divergências com o almirante Villegaignon, ele traiu todos os pastores franceses instalados na colônia. Portugal, com ajuda de Villegaignon, expulsou os invasores franceses e matou vários protestantes que já estavam no Brasil, entre eles, o pastor Pierre, que foi estrangulado e lançado ao mar, na Baia de Guanabara. O sangue dos mártires foi derramado no Brasil (Terra de Vera Cruz), o primeiro país da América a receber missionários protestantes.

No século 19, os missionários europeus e norte-americanos começaram a desembarcar no Brasil católico e que considerava os protestantes de hereges. Dentro do Império Deus coloca como destaque, o casal inglês Robert e Sarah Kalley. Nesse tempo surge o primeiro missionário presbiteriano Ashbell Grenn Simonthon; os primeiros batistas como Thomas Jefferson Bowen, Richard Ratcliff e William Burk Bagby; os metodistas Justus E. Newman e John Ransom e outros protestantes de igrejas históricas e reformadas que chegaram no Sul e Sudeste do país.

Em 1906, explode na Califórnia um grande avivamento, o pentecostalismo da rua Azuza. O Movimento Pentecostal, logo enviou missionários por todo o mundo, sendo um despertamento missiológico muito forte. Dois jovens suecos chegam ao Brasil, influenciados pelo avivamento em Los Angeles, eram eles Daniel Berg e Gunnar Vingren. Esses jovens batistas desembarcaram em Belém do Pará, no norte do Brasil, fundando nessa cidade a Missão da Fé Apostólica, que depois passou a se chamar de Assembléia de Deus. Os pentecostais chegaram, também, por meio de um italiano chamado Luís Francescon, que fundou a Congregação Cristã do Brasil.

 
2.2 -  Objetivo e preparação do missionário
    O objetivo do missionário cristão é anunciar o Evangelho de modo universal (Evangelho = boa notícia, boas novas, boa mensagem) e através da exposição deste evangelho, apresentar o próprio Cristo com Senhor e Salvador de toda a humanidade. Alguns aspectos são necessários para a preparação de um missionário:
  • É importante que tenha profunda experiência de Salvação, e comunhão com Cristo, à quem irá apresentar as pessoas.
  • Profundo conhecimento das escrituras sua principal ferramenta.
  • Domínio da língua local onde pretende atuar.
  • Conhecimento da cultura e das leis e costumes locais.
  • Imprescindível que este possa contar com as orações, apoio financeiro, e ministerial de sua Igreja de origem.

3 – Objetivos da Missiologia
– Tomar consciencia da realidade das cidades e seus desafios
– Considerar os fatos biblicos e os principios neles presentes relacionados com missões.
– Apreciar os métodos de missões, hoje aplicadas, com base nos principios e modelos biblicos
– Elaborar um projeto de missões, visando a evangelização de uma determinada cidade

4 -  Missiologia Urbana

4.1 Conceito
       É a disciplina ou a ciência que pesquisa, registra e aplicca, dados relacionados com a origem biblica, a história, os principios e tecnicas antropológicas e a base teologica da missão cristã na cidade

4.2 – Obstáculos ao crescimento das igrejas
        Sabemos que a evangelização é uma ordem explicta de Cristo a sua igreja. Mas nos dias de hoje, existe muitas dificuldades para um crescimento satisfatório das igrejas, pois a apostasia tomou conta das pessoas. O desanimo das pessoas e a impotencia em ver tantas barreiras intimidam o desejo de evangelizar.
        Precisamos reconhecer que existem barreiras reais e tranpô-las com os recursos provinientes de Deus, nos colocando efetivamente como instrumentos para anunciar as boas novas.
a) O diabo. Com os seus anjos maus procuram de toda a maneira impedir o crescimento da igreja do Senhor Jesus aqui na terra. Para tal usa de algumas artimanhas com o intuito de impedir a propagação da Palavra de Deus.
- Tenta impedir que os ouvintes recebam a Palavra de Deus ( Lc 8.12 )
- Dissemina doutrina errônea ( Mt 13.35 )
- Incitam perseguição ao reino de Cristo ( Ap 12.7 ), no intuito de arruinar a igreja, o diabo causa transtorno ao estado politico ( Cr 21.1 ) e ao estado doméstico ( 1 Ti 4.1-3)

b) Ausência da credibilidade da igreja
     Boa parte da população está decepcionada com erros diversos em igrejas, como a exploração financeira, escandalos de lideres religiosos ( adultério, furto, apropriação fraudulenta de bens e valores etc.. ). O legalismo de certas igrejas impoe a seus membros , leis humanas muito rigidas, tirando das mesmas a alegria de viver.
     O evangelho está desacreditado porque perdemos o crédito de nosso comportamento perante a sociedade. Pois em vez de levarmos algo diferente, bom e precioso as pessoas, muitas vezes procuramos nos adequar ao local e ao estado destas pessoas e não fazê-las entenderem a importancia do Nascer de Novo.
c) Perda da  linguagem comum.
    As mensagens pregadas nas igrejas muitas vezes são endereçadas mais as necesidades das pessoas, do que verdadeiramente uma mensagem de poder movida pelo Espirito Santo com objetivo de Salvação. Prega-se o que o povo quer ouvir, e não o que Deus quer falar.
d) Isolamento
  Agora que aceitamos a Jesus, não pertencemos mais a este mundo, portando vamos nos isolar e esperar a vinda do Senhor Jesus. Tornamos a igreja restrita aqueles que se decidiram e nos isolamos de todos.
   Não devemos amar o mundo, mas devemos viver como as gaivotas que se alimentam no meio do lodo mas não sujam suas plumas. Ou seja, não precisamos ser participantes das coisas erradas, mas que sejam vistos e reconhecidos como verdadeiros cristãos através de nossas atitudes e procedimentos.
e) Separação.
    Outro erro nosso é agora que fazemos parte de uma nova comunidade, as nossas amizades estão somente restritas aos “ irmãos “. Erro grotesco, podemos sim ter amizade com pessoas que não professam a nossa fé. Mas fazer com elas entendam a nossa posição. Pois através de nosso testemunho diário estão pessoas estão sendo evangelizadas.
f) Paganismo.
    O paganismo está de volta a esta geração. Muitas vezes somos taxados de fanáticos de pouca cultura. Mas estes mesmos acreditam em supertições, piramides, gnomos, duendes  etc. São estas pessoas carentes do evangelho. E nós precisamos estar ali próximas para poder pregar a verdade.
g) Ativismo.
     Estamos muitas vezes tão comprometidos com os trabalhos internos da igreja, que esquecemos da nossa vida familiar e social. Como consequencia, deixamos de evangelizar.
h) Não saber como comunicar o Evangelho
     A maioria das pessoas nunca prepararam um plano biblico para evangelizar, outras simplesmente não sabem se expressar e outras talvez desconhecem totalmente o plano da salvação. A igreja falha muito neste sentido, deixando muitas vezes de aplicar aos novos convertidos estudos bíblicos e principalmente o discipulado.
i) Falta de confiança
   As vezes por falta de conhecimento do evangelho as pessoas se retraem e deixam de anunciá-lo, mas devemos também de ter em mente que aquele que nos chamou, também nos capacitará para anunciar as boas novas. Para isto, devemos orar e pedir entendimento de sua Palavra pois o nosso testemunho salvará muitas pessoas.

5 -  Estratégias de Evangelização
      Sabemos que a conversão de pessoas ao cristianismo se dá somente através da pregação da Palavra de Deus, convencida através do Espirito Santo de Deus.
       Deus utiliza as caracteristicas peculiares de seus escolhidos para atraí-los a salvação. Cada um com suas peculariedades. E nós devemos montar estratégias de evangelização que irão quebrar barreiras para atrair estes  escolhidos.
5.1 Formar equipes de oração.
       Os principados, as potestades e as hostes da maldade somente são derrotados através da oração. Eles são responsaveis pelo enfraquecimento da igreja, não permitindo que ela cresça. Então com a formação de equipes de oração barreiras serão quebradas, corações de pedras se tornarão de carne para poderem receberem a Palavra de Deus.
       Está equipe deve ter total dependência de Deus. Saber que na hora certa Ele estará fazendo aquilo que deve ser feito.
5.2 – Testemunho Pessoal
       É preciso viver o que se prega. Cada crente é responsável em ser um testemunho vivo as pessoas. Caso contrário será alvo de zombaria, rejeição, escandalo e incredulidade.
5.3 – Receptividade.
       A receptividade aos visitantes a igreja é de suma importância. Para tal deve-se formar uma equipe com a finalidade de recepcionar todos os visitantes, fazendo com que ele se sinta bem  encorajado em retornar novamente a igreja. Deve haver uma atenção especial antes, durante e depois do culto.
5.4  Grupos familiar.
       Claro que no inicio do cristianismo se fazia necessário os cultos domésticos. Mas nos dias atuais é no meu modo de ver uma das melhores estratégias de evangelização. Pois no lar há o aconchego da familia. Longe de olhares zombeteiros de amigos. Possibilita fazer perguntas ao dirigente, promove o diálogo, facilita a comunha e melhor para se resolver determinados problemas que possa ali ser abordado.    

5.5 Equipe de visitação aos lares
      Estas equipes devem serem formadas por irmãos cheios do Espirito Santo de Deus, com a finalidade de visitar lares das pessoas que visitam a igreja; já pré agendado com o visitante, pelo menos uma vez por semana. Deve-se levar bíblias, folhetos etc. Se este visitante quiser um estudo bíblico para conhecer melhor a Deus, deve-se aplicar este estudo.

5.6  Plantação de igrejas.
      O crescimento da igreja se relaciona com o fato de implantação de pontos de pregação em bairros. Neste pequenos pontos de pregação aspira-se futuras igrejas. Um local simples, mas adequado, começando muitas com apenas um casal, pela esperiência que tenho, muitos frutos são colhidos.

5.7  Distribuição de folhetos.
      Ter folhetos adequados e na hora certa se distribuido, trás resultados importantes na evangelização. Folhetos com destino a criança, salvação, cura, perdição, pecado e outro é de suma importância.

5.8 Motivação
      A motivação é a palavra chave da evangelização. Os crentes precisam entender a grande necessidade e obrigatoriedade deles em ganhar almas para Jesus. Se realmente houvesse esta chama ardente por almas no coração dos crentes, não haveria a necessidade de cultos e congressos referente a missão. Que são feitos exclusivamente para despertar os crentes para o grande comissionamento.

6 – A igreja e a Missiologia
      A igreja deve urgentemente tomar uma decisão no sentido de desempenhar o seu papel no grande comissionamento de Jesus que  é o “ IDE “.  
Atitudes a serem tomadas pela igreja:
a) Fazer uma séria pesquisa senso demográfica do contexto onde a igreja encontra-se inserida 
b)  Deve desenvolver um ministério centrado na comunidade, no  ministério do leigo e nos dons do Espirito
c) Deve saturar a comunidade local com o Evangelho de Cristo
d) Deve mover-se para fora da igreja, ou seja começar a interagir com a comunidade
e) Deve mover-se para frente mas sempre em unidade
f) Jamais barganhar o evangelho da graça
g) A igreja num todo, caminhar numa única direção, tendo o seu corpo missões definidadas, onde cada membro esteja envolvido na obra de Deus.

7 – Conclusão
“ ROGER GREENWAY “,  em seu livro “ missions new frontier “ sugere algumas caracteristicas que o cristão deve ter:
- Aprender a amar a cidade onde está a sua igreja
- Deve conhecer a cidade
- Aprender a apreciar o corpo de Cristo existente na cidade
- Sofrer pela cidade
- Paixão pela evangelização profunda e genuina
- Credibilidade junto a comunidade
        Antes de qualquer coisa, a nossa preocupação deve ser esta: apresentar um Cristo amoroso e preocupado com as almas. Pois desta forma estaremos divulgando um Evangelho vivo e eficaz.
        E para tal, montar projetos e estratégias de evangelização, adequado ao local em que a igreja está localizada. Não cometendo erros primários como evangelizar um determinado local, sem antes fazer um levantamento senso estatistico.
         Jesus está voltando, e a igreja deve estar preparada.

8 - Bibliografia
Pesquisa feita em vários estudos inseridos na internet, após analisados, foram devidamente modificados conforme interpretação e entendimento deste aluno. A organização da pesquisa foi devidamente manipulada por este aluno.
Assuntos pesquisados:
Missiologia – Uma perpectiva Urbana – Rev Gildásio Reis
Jornal Paixão das almas – entrevista cedida por Ronaldo Lindório
Missiologia e educação teológica por Barbara Hern Burns